17 de jul. de 2010

Formação de Professores em Desporto: A Contribuição da Gestão Desportiva


*Thiago Seixas dos Santos
O desporto, ao longo de sua existência, passou por grandes evoluções. Estas podem ser observadas através da realidade quotidiana da sociedade pós-moderna. Esta evolução, por sua vez, conduziu o desporto a adequações sempre constantes as “regras” e “normas” ditadas pela sociedade. Neste sentido torna-se necessário ao profissional do desporto seguir estas tendências ou mesmo alterações na indústria desportiva e seus peculiares nuances e características. É possível identificar falhas de ordem de conhecimento técnico, científico, empírico, social e relacional nos profissionais de desporto. Em virtude de várias necessidades identificadas no campo de atuação do profissional de desporto surge um novo campo de estudos: a gestão do desporto. A gestão desportiva objetiva suprir algumas fragilidades observadas neste profissional atualmente. Matérias como o planejamento estratégico, gestão de organizações desportivas, gestão de instalações desportivas, dentre outras, contribuem para a formação de um profissional qualificado, competente e com uma intervenção consolidada. O presente estudo foi realizado utilizando a revisão de literatura como metodologia de pesquisa, através de livros e artigos científicos especializados. Pode-se perceber que perdem espaço no mercado justamente levando em consideração suas fragilidades, mesmo quando o mercado do desporto e a indústria desportiva crescem vertiginosamente. No campo da gestão desportiva percebe-se que na grande maioria dos casos os profissionais do desporto estão ausentes nos cargos que remetem a gestão relacionada com o desporto. Esta é uma realidade que pode e deve ser mudada. Contudo a única alternativa para que haja a mudança necessária é com a prática profissional baseada em resultados. Resultados que virão somente se também estiverem pautados na teoria cientificamente comprovada, que por sua vez, só será possível com atualização e aperfeiçoamento dos saberes que fazem parte da prática profissional do desporto.
*Mestre em Gestão Desportiva - Universidade do Porto/Portugal, Professor da Faculdade Boa Viagem (FBV) e Instituto Brasileiro de Gestão e Marketing (IBGM) - Recife/PE.


3 de jul. de 2010

Futebol e Sadismo

(texto extraído da obra: Futebol Levado a Riso: Lições do Bobo da Corte - Rubem Alves, Ed. Verus. 2006)


Eu nunca fui bom de bola. Por isso  foi uma supresa quando recebi um telefonema: 
- É o Rubem Alves?
- Sim.
- Sou repórter. Meu jornal está fazendo uma pesquisa. Seu nome foi um dos escolhidos para responder a uma pergunta sobre futebol.
- E a pergunta qual é - Perguntei.
- É a seguinte: Acha que o time do Brasil deve jogar futebol eficiente e feio que faz gols ou jogar futebol bonito que é arte?
Suspirei aliviado. Não entendo de nomes e detalhes, mas sobre essa pergunta tenho opiniões precisas, que comecei a formar quando uma paciente me fez uma observação surpreendente. A gente falava sobre humor e desenhos animados. Ela chamou a minha atenção para o fato de que, nos desenhos, a gente só ri em situações sádicas. É quando Tom cai na piscina vazia e se quebra como se fosse vaso. Ou um piano lhe cai em cima, e ele sai andando feito caranguejo. Ou quando o rolo compressor o transforma em panqueca. Desenhos bonitinhos e bonzinhos como os dos Smurfs não fazem rir. Para haver o riso, é preciso que o vilão se ferre.
É claro que a gente sabe que, depois de se partir em mil cacos, o Tom vai reaparecer, na cena seguinte, forte e mau como sempre, sem apresentar quaisquer sinais do sucedido anteriormente. [...]
Desde então fiquei brincando com a hipótese de que a alegria do futebol é parecida. Ela acontece quando a gente tem a chance de realizar o desejo sádico sobre o adversário, que é sempre o Tom da estória.
- Agora veja: o jogo foi pura arte, um maravilhoso espetáculo de balé! Os passes sob medida, as fintas geniais, as articulações com a precisão de teoremas, a técnica dos jogadores, semelhante a de Nureyev. Só que terminou 0 a 0. Você acha que os torcedores sairão pela rua cantando e gritando: "que bonito foi! que bonito foi!?"
- Claro que não - ela respondeu.
- Pois é - continuei -, ninguém assiste futebol para ter experiências estéticas. Quem quer ter experiências estéticas vai ao teatro. A gente assiste futebol para a indescritível felicidade de ferrar o adversário e fazê-lo sofrer. Pois você há de concordar: o que é felicidade pra quem faz, é dor para quem leva.[...]
Fazer um gol contra a Suécia pode dar prazer, mas o prazer não é muito grande. É um povo tão bom, tão branco, tão louro, tão simpático. A gente não tem nada contra eles. Melhor seria não fazê-lo. O que não é o caso da Argentina. Ah! Que prazer divino é fazê-los sofrer, especialmente sabendo que eles pensam o mesmo da gente. O prazer do gol contra a Argentina vale cem vezes mais o prazer de um gol contra a Suécia. Um gol da Argentina dói também cem vezes mais [...]
Futebol-arte só é bonito quando o time da gente está ganhando e serve para humilhar ainda mais o adversário. Quem diria que o gozo do futebol tem a ver com a realização de impulsos sádicos e perversos? 
Mas tenho que terminar esta crônica. O Brasil joga daqui a pouco. Tudo já está preparado. [...] Vou sofrer e gozar. Mas sei que no final, todos os Toms ressuscitarão. Ressurgirão, belos e lampeiros, em seus uniformes brilhantes na próxima Copa, como se nada tivesse acontecido. Tudo é desenho animado.


(Rubem Alves é pedagogo, poeta, filósofo de todas as horas, um dos intelectuais mais famosos do Brasil.)